[Paradiplomacia: uma forte ferramenta em momentos de fraca economia.

Screenshot 2016-06-20 21.23.08.pngFoto: Revista Dinheiro, 15/06/2016, pg. 18)

Que a economia brasileira não está lá (ou cá) “grandes coisas” todos já sabem.

A política, tampouco, serve de referência positiva. Porém, o que se pode tirar de um momento de crise? Como já li em algum lugar, “na crise, tire o s da palavra e crie“.

A diplomacia tradicional compreende os instrumentos pelos quais os Estados constituem ou mantêm relações recíprocas. É por meio da diplomacia, ou da soft power, que os Estados interagem política e juridicamente uns com os outros, utilizando-se de seus representantes oficiais.

 most people practice diplomacy daily without even realizing it

Nancy Warren Ferrell já afirmou que: most people practice diplomacy daily without even realizing it. At school, taking turns is a diplomatic solution to the problem of who goes first. At home, parents and children use diplomacy when they negotiate such things as use of the family car. Whether between people or two nations, diplomacy works in the same way.

Nos negócios, a diplomacia (corporativa) é exercida de igual forma. É aqui que entra a importância de um alargamento de visão e atuação.

Jan Melissen, diretor do Clingendael Institute define a paradiplomacia como sendo um “mechanism of representation, communication and negotiation, through which states and other international actors conduct their business.” 

Mas não precisamos nos valer, apenas, dos pensadores estrangeiros. Aqui, em território nacional, o professor Gilberto Safarti, da FGV, um estudioso sobre a importância das empresas na cena internacional, para justificar o relevante papel desempenhado pelas empresas (atores não estatais), defende essa importância porque o “papel dessas empresas nas relações internacionais mundificou-se.”

É por essa razão que tirar a letra s da palavra c.r.i.s.e nunca foi tão importante. A revista Dinheiro (edição de 15/06/2016) traz uma matéria sobre a atuação do presidente da FIESP, Paulo Skaf, como porta-voz da indústria, que desembarcou em Brasília para demonstrar o seu apoio ao Governo.

pessoa jurídica, mas antes de jurídica, uma pessoa

Independentemente das diversas visões políticas (não me parece relevante, nem pertinente, aqui, desenvolvê-las), o essencial, salvo melhor juízo, é destacar a importância da atuação das empresas (setores organizados) em promover e exercer o engajamento, a construção e o exercício de influência que, de fato, possuem.

Ora, é lícito e republicano que qualquer cidadão possa atuar em defesa de seus interesses. Aliás, como bem descreve uma recente propaganda de uma instituição financeira “pessoa jurídica, mas antes de jurídica, uma pessoa”.

As empresas, tal como as cidades (sim, a paradiplomacia também é – e deveria ser ainda mais – exercida pelas cidades, os chamados governos subnacionais) podem e devem atuar como cidadãos corporativos, sempre considerando o benefício dos interesses gerais da sociedade e de uma melhor qualidade de vida para todos os cidadãos.

No mesmo sentido, os governadores exerceram, hoje (20/06/2016), a paradiplomacia em defesa de seus interesses, dado que a c.r.i.s.e financeira nos estados tem sido implacável e, infelizmente, não é apenas uma questão de má gestão (embora na grande maioria é disso mesmo que se trata). A atuação paradiplomática e organizada rendeu aos governadores um alívio importante nas finanças dos estados, com o acordo de renegociação de dívidas.

Em tempos de c.r.i.s.e o engajamento e, sobretudo, a defesa organizada e ética dos interesses, parece ser um caminho que pode render frutos para todos os envolvidos.

A paradiplomacia, em quaisquer que sejam as suas formas (diplomacia corporativa, paradiplomacia dos governos subnacionais etc.), é decerto, uma forte ferramenta em momentos de fraca economia e busca a convergência de interesses.

 

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