O diplomata e as novas tecnologias ]

Discorrer sobre novas tecnologias exige, de plano, um esclarecimento sobre as chamadas diferenças geracionais. Essas diferenças permitem-nos entender as mudanças existentes no mundo do trabalho, se fizermos uma analogia com o cenário organizacional das grandes empresas.

O consenso hodierno afirma que há três diferentes gerações: (i) Baby Boomers, aqueles que experimentaram as virtudes do pós-guerra, a primeira geração a crescer em frente à TV e hoje estão na casa dos 60 anos, mas sempre ativos no que diz respeito ao trabalho; (ii) Geração X, os que cresceram entre os anos de 1960 e 70, presenciaram muitas crises, assistiram à queda do muro de Berlim, ao surgimento das empresas “ponto.com” e de várias tecnologias e (iii) Geração Y, a mais nova geração presente no panorama organizacional. São mais exigentes, confiantes e questionadores. Cada geração possui valores similares, e similar importância; diferenciam-se, porém, na forma como se expressam.

O diplomata exerce funções vitais para os Estados. Independentemente da sua formação anterior, ele assume o papel de relações públicas, de gestor da informação e dos processos para se consegui-la, mas também para divulgá-la à sociedade: quando, como e por qual meio o fará.

Vivemos em um mundo globalizado e interdependente, onde a informação possui caráter vital, nomeadamente no meio político-diplomático. Se antes a diplomacia era vista como apenas um meio para se transmitir uma mensagem a um Estado, a um Governo, a revolução da informação ocorrida no final do século XX mudou – radicalmente – esse contexto.

Hoje, os diplomatas são confrontados – a cada momento -, com novas formas de tecnologias que – afora o pensamento dos mais céticos -, podem e devem ser aproveitadas.

Nesse novo cenário em que se situam e se desenrolam as relações diplomáticas entre os Estados, entre cidadãos de um país residentes no exterior e entre os demais atores não-estatais (ONGs, OIs, etc.), o Ministério das Relações Exteriores deverá levar em conta a evolução das ferramentas de comunicação existentes e, sobretudo, as novas formas como as pessoas se comunicam. Afinal, a Internet há muito é uma realidade inquestionável.

É nesse contexto que a Diplomacia Digital (ou e-Diplomacy) pode ser vista – e adotada – como uma ferramenta de informação e comunicação relevante quer para as embaixadas e consulados, quer para o próprio diplomata, no desenvolvimento de suas atividades, utilizando-se de ferramentas como Facebook, Twitter, YouTube, mensagens instantâneas (SMS), Blogs, LinkedIn, Websites Oficiais, etc.

Um realidade quase “natural” para os egressos das novas turmas do concurso para o Itamaraty, aqueles profissionais considerados como pertencentes à Geração X e, mais notadamente, da Geração Y. Acontece que a carreira diplomática não é formada apenas por profissionais das últimas gerações (e nem deveria ser, decerto). O equilíbrio, o conhecimento acumulado, a vivência e tato são abundantes nos profissionais – digamos, mais experientes – e isso deve ser invejado pelos mais novos (no sentido positivo da palavra).

Entretanto, os que se consideram pertencentes à geração baby boomerssão os que possuem um legado político, econômico e cultural inquestionável – e de igual forma natural – em decorrência de todas as experiências vividas.

É essa confluência de experiências e habilidades que traz o verdadeiro equilíbrio para a carreira diplomática. Mas é necessário possuir uma mente aberta para mudanças.

A revolução da informação expandiu o paradigma da diplomacia tradicional, alargando seu conceito e atualizando-o face às novas tecnologias e costumes. Assim, o diplomata (ou o aspirante à carreira) – independentemente da geração a que pertença -, deve estar preparado e atualizado não apenas no que diz respeito ao seu mister, mas, sobretudo, para o que a sociedade espera, pois nas palavras de Harold Wilson, duas vezes primeiro-ministro do Reino Unido, “aquele que rejeita a mudança é o arquiteto da decadência.”

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