Opinion: America’s Elegant Decline (by Robert D. Kaplan)

Ao longo de sua explanação, Kaplan demonstra suas preocupações sobre a redução do contingente naval dos Estados Unidos da America do Norte (EUA) e suas implicações, bem como (de forma implícita) uma provável miopia na gestão do tema por parte dos EUA, no que pese sua afirmação de que “Agora, o Pentágono está consumido pelo foco em guerras urbanas e contrainsurgência” (KAPLAN, 2007, tradução nossa), em sentido contrário ao de outros Estados, tais como China, Índia e Coreia do Sul, que estão a modernizar suas esquadras e Rússia, que mantém e ainda subsidia pesquisas e desenvolvimento militar.

Suas preocupações remetem-nos à visão dos realistas, ao colocar o Estado (EUA) como ator central das relações internacionais e, portanto, possuindo as funções precípuas de estabilização doméstica e segurança em relação às agressões externas, além da necessidade de sobrevivência do Estado, quando “(…) a segurança dos indivíduos só é mantida uma vez que a segurança do Estado do qual faz parte é mantida” (NOGUEIRA E MESSARI, 2005, p.28).

Dado a minha formação na área da administração, torna-se pouco provável não recorrer a essa ciência, e por conseguinte, ao seu escopo bibliográfico, com vistas à dissertar sobre o artigo do professor Kaplan, sob o titulo America’s Elegant Decline.

Com efeito, Theodore Levitt, em artigo publicado na Harvard Business Review, entitulado Marketing Myopia (Setembro-Outubro, 1975), inicia seus pensamentos com foco no declínio de certas indústrias não como consequência de saturação de seus mercados, mas em face de falha de gestão.

Every major industry was once a growth industry. But some that are now riding a wave of growth enthusiasm are very much in the shadow of decline. Others, which are thought of as seasoned growth industries, have actually stopped growing. In every case the season growth is threatened, slowed, or stopped is not because the market is saturated. It is because there has been a failure of management. (THEODORE LEVITT, 1975)

Levitt, à época, chamava a atenção, por exemplo, para o fato de que as estradas de ferro não pararam de se desenvolver porque se reduziu a necessidade de transporte de passageiros, mas por não terem sido atendidas por elas mesmas. Ou seja, automóveis, aviões, etc., lhes tiraram os clientes, pois elas não se consideravam companhias de transporte, mas meras empresas ferroviárias e, segundo ele, a falha está na cúpula.

Assim, sem receios em ousar com a comparação (guardadas as devidas limitações), podemos – de forma simplista -, comparar indústria com os Estados no que diz respeito à importância das tomadas de decisão. Resta-se evidente a dicotomia enfrentada pelos EUA quando, por uma lado, crê-se que uma Marinha forte preserva a estabilidade internacional e, por outro, o custo financeiro associado à sustentação e modernização de sua força naval é enorme.

Embora seu titulo estampe o substantivo declínio (de tom forte, em essência), de fato, não faz qualquer consideração acerca de possível receio norte-americano no que pese à permanência como ator nas relações internacionais.

Declínio, a meu ver, refere-se (ou referir-se-ia) não apenas à redução da esquadra naval dos EUA, desde seu zênite em 1945, quando a Marinha dos EUA contabilizava 6,700 embarcações (KAPLAN, 2007), até chegar as “poucas” 300 na atualidade, mas também à miopia na gestão como mencionado supra.

Nesse contexto, não se pode olvidar o alcance do conceito de estado de natureza, onde o conflito de interesses, por vezes, leva ao uso de violência (força) e, destarte, ser vital a existência de uma Marinha forte. Quer seja como potência naval soberana, consoante advogava Mahan, quer por meio de uma aliança naval como sugerido por Corbett, ou como suporte às operações de terra, outrora recomendado à Marinha Americana por Huntington, em artigo publicado em 1954 (KAPLAN, 2007).

Uma vez ressaltada a importância da tomada de decisão, e embora extrapolando as fronteiras do texto ora analisado, não se pode deixar de relevar a iminente maré de boas novas, anunciada pelo presidente americano Barack Obama, em discurso realizado em maio do ano em curso, durante evento de formatura na Academia Naval dos Estados Unidos, como segue in verbis.

And, today, this is the promise I make to you. It’s a promise that as long as I am your commander in chief, I will only send you into harm’s way when it is absolutely necessary, and with the strategy, the well-defined goals, the equipment and the support you need to get the job done.

(…)

We will also ensure you can meet the missions of today, which is why we’ve halted reductions in Navy personnel and increased the size of the Marine Corps. And we will ensure you can meet the missions of tomorrow, which is why we’re investing in the capabilities and technologies — the littoral combat ships, the most advanced submarines and fighter aircraft — so that you have what you need to succeed. (BARACK OBAMA, In http://blogs.abcnews.com/politicalpunch/2009/05/obama-to-navy-g.html. Acesso em 12/10/09)

* André E. Ribeiro de Souza Aprigio é mestrando em Relações Internacionais pela Universidade do Minho (Portugal). Graduou-se em Administração de Marketing pela FAL – Faculdade de Alagoas, possui especialização Lato Senso em Comunicação Integrada de Marketing pelo UNIFOA e MBA em Gestão Estratégica de Serviços pela ESPM-Rio. [andre.aprigio@gmail.com]

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